É muito interessante como o carnaval tem o poder de mudar comportamentos e criar tendencias;há uma liberdade corporal insana e um aprisionamento de idéias.Basta olhar a festa por fora da festa;é uma verdadeira catarse,vivenciada por pobres,ricos,Josés,Marias,Valeskas,não importa o peso de seus nomes ou a classe social a que pertencem,seu sexo,raça ou etnia,todos expulsam seus demonios e chamam de estado de alegria.
A moça que mora no Morro do gato corre atras do trio,a moça que vende churrasco corre atras do trio,o catador de latinhas corre atras do trio,o vendedor de cerveja corre atras do trio,a moça que mora em Paripe corre atras do trio,a polícia empurra pedindo passagem,empurra a moça que mora no Morro do gato,a que vende churrasco,o catador de latinhas e todos que correm atras do trio,sua catarse é outra;é a catarse do poder,que inebria seus sentidos e cega sua razão,precisam correr atras dos que correm atras do trio,precisam agredir para expulsar seus demonios.
Lá vem um bloco de trio e descubro uma outra festa dentro da festa,a rua agora é dos blocos e os que pipocavam atras do trio,agora estão espremidos pelos associados dos blocos e seus cordeiros,que experimentam o poder de expulsar seus demonios espremendo os que estão do outro lado da corda;lá vem a polícia empurrando os cordeiros que empurravam os que corriam atras do trio.Tento sair do aperto,vou para a calçada e não posso passar,está lotada de seguranças que fazem um cordão de isolamento;aréa restrita aos foliões do camarote.
De um lado os blocos e seus associados protegidos por cordeiros,do outro a polícia,a calçada tomada por um serviço de segurança,que não nos deixa passar;sinto-me estrangeira dentro de minha própria terra,uma invasora que resolveu junto com milhares de pessoas perturbar o sossego do carnaval de uma minoria,que teima em privatizar uma das mais belas festas populares do mundo o carnaval;e mais acreditam que podem abrilhantar uma festa que tem brilho próprio,colocando cercas e muros tentando separar e selecionar a nata da festa.Que bom quando chega a quarta-feira de cinzas,não porque acaba o carnaval e sim porque o verdadeiro carnaval acontece ,Carlinhos Brown e sua timbalada arrastam todos,a do morro do gato,a de Paripe,negros,brancos,gordos,magros,pobres ou ricos;os que precisavam de proteção das cercas se juntam,misturam seus corpos em um só gingado,o carnaval é do povo e atras do arrastão só não vai quem ja morreu.Precisamos entender a festa por tras da festa e mesmo com suor cerveja e alegria,não podemos perder a capacidade de nos indignarmos com a repressão vivida no momento de maior liberdade corporal,de idéias e atitudes.
Afinal para que serve o carnaval?
Para unir a diversidade ou fortalecer discrepancia social existente no país do carnaval,reforçados pelas elites que organizam e viabilizam esse falso modelo de alegria e que vetam a popularização da festa popular.A bahia não é mais o país do carnaval,o carnaval agora é estrangeiro,é carioca,é paulista,é mineiro.só não é baiano......
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